segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PRÁTICAS PAGÃS E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - Fernando José Duncan Meira

PRÁTICAS PAGÃS E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE



Fernando José Duncan Meira
 Bacharelando em Teologia – Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste – Recife/PEfjmeira@gamil.com
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo apresentar um posicionamento acerca de certos procedimentos que estão sendo adotados nos cultos das igrejas evangélicas, mas que na realidade refletem muito mais atitudes e práticas de cunho pagão. O que tem tornado o assunto demasiadamente sério é o simples fato de que a Palavra de Deus está sendo ministrada de forma leviana e muitas vezes sendo utilizada para obtenção de proveitos escusos, principalmente por parte daqueles ditos levantados por Deus para a condução se Sua igreja, através de uma nova Teologia: a da Prosperidade. Este trabalho não tem uma denominação atrelada em seu posicionamento, apenas é um alerta para que o Evangelho de Cristo seja anunciado de maneira consciente, com temor e que possa conduzir a igreja ao seu verdadeiro propósito: ser Celeiro de Deus.

Palavras-Chave: Igreja Evangélica. Culto. Paganismo. Teologia da Prosperidade.  

ABSTRACT
This paper aims to present a position about certain procedures that are being adopted in the cults of Evangelical churches, but which actually reflect more attitudes and practices of pagan slant. What has made the subject too seriously is the mere fact that the Word of God is being done lightly and often being used for obtaining shady income, mainly on the part of those sayings raised by God for driving if his Church, through a new Theology: the Prosperity. This paper does not have a name attached in its placement, is only a warning so that the Gospel of Christ is announced in a manner conscious, with fear and that could lead the Church to its true purpose: to be God's barn.

Keywords: Evangelical Church. Cult. Paganism. Prosperity theology.






1  INTRODUÇÃO

A maior preocupação de qualquer corrente (ou denominação) evangélica séria e temente aos princípios bíblicos é exatamente com a pregação e a propagação do Evangelho de Jesus Cristo.
No entanto, deve-se salientar que a seriedade na qual se deve estar embasada é a ministração da Palavra de Deus, em sua totalidade, sem se utilizar de interpretações levianas e de interesses escusos no que tange a atingir os objetivos da igreja.
Porque a Palavra de Deus, estabelecida por Jesus em Mc 6:15, “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura” (NVI), tem como um dos objetivos exortar as pessoas quanto às más condutas, levando-as ao arrependimento de pecados, confissão a Deus e, por conseguinte, receber de Deus o perdão, passando, a partir daí, para uma vida nova, longe  e apartados do pecado.
Muito embora não se trate de novidades, os falsos ensinos que são ministrados mundo afora, inclusive dentro das próprias igrejas, têm tomado cada vez mais espaços dentro do universo cristão bíblico. Os falsos mestres, imbuídos de seus interesses particulares de auto-firmação, poder e riqueza, têm utilizado a Palavra de Deus para atingimento desses seus objetivos.
As estratégias adotadas por estes AUTODENOMINADOS pastores, apóstolos, missionários ou qual nome se queira dar, têm se revestidos de sórdidas artimanhas de sutileza e têm enganado, inclusive, aos próprios cristãos.
A advertência de Jesus em Mt 22:29 quando Ele afirmou que muito se erra devido ao não conhecimento das Escrituras, é uma lacuna escancarada que os carcarás de plantão têm aproveitado para disseminar suas idéias.
As palavras do apóstolo Pedro em sua 2ª carta Cap. 2:1-3, quando diz: “No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade” (NVI), têm sido negligenciadas e multidões vão sendo arrastadas em direção ao precipício, visto que tal erro que tem levado muitos a assumirem como verdades os ensinos desviados da Palavra, obviamente, também eivados de interesses próprios de sucesso, prosperidade e poder.
A necessidade de manter sempre alta a busca continuada por estes interesses tem levado os líderes da corrente teológica da prosperidade a buscar, cada vez mais, novidades e idéias que mantenham o “círculo vicioso” bem alimentado.
Para tanto, tem se levantado procedimento comum neste meio, que é recorrer a certas estratégias de culto que mais aparentam com práticas pagãs, muito bem disfarçadas e habilitadas pela deturpação das escrituras.
E é sobre estes aspectos que estaremos tratando a seguir.

2  CONCEITOS

Antes de entrarmos na descrição do que tem acontecido na Igreja de Cristo, é salutar deter alguns instantes para trazer conceitos acerca dos temas que estamos abordando.

2.1  PAGANISMO: O QUE REALMENTE É?

            Segundo o site da internet Wikipedia, “Paganismo (do latim paganus, que significa ‘camponês’, ‘rústico’) é um termo geral normalmente usado para se referir a tradições religiosas politeístas”.
O termo paganismo é geralmente utilizado para designar um dos caminhos espirituais que é utilizado para se ter comunhão com os deuses ou as diversas divindades politeístas.
Dentre as várias idéias, além da crença em diversos deuses, tem a crença em que a natureza e todo o universo são divinos (panteísmo), onde todos os elementos da natureza possuem uma entidade divina.
Como característica, podemos perceber que os adeptos do paganismo possuem a liberdade de cultuar os seus deuses da forma como bem desejarem, não havendo, via de regra, uma estruturação religiosa padronizada.
A esta liberdade está, muitas vezes também, associada à ausência da noção de pecado ou inferno, e a relação com as divindades é dada de maneira direta e pessoal.
No entanto, com o passar dos anos, diversos povos de cultura pagã passaram a estruturar suas liturgias e seus costumes próprios, arrebanhando, assim, os seus adeptos.
Enfim, como expõe o site, paganismo é um “termos que se refere às diversas formas de religiosidade, que têm como lugar comum o encontro com o divino através da Natureza”.
O paganismo tem crescido e é encarado como uma nova cultura, uma nova alternativa de culto.

2.2  O QUE É TEOLOGIA DA PROSPERIDADE?

Segundo o site Wikipedia, “A Teologia da Prosperidade é uma doutrina religiosa “cristã” que defende que a benção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel”.
Esta corrente, dita de cunho cristão, tem tido um crescimento vertiginoso e tem passado a exercer uma grande influência nas igrejas evangélicas no Brasil.
Um dos “grandes problemas” que existe na igreja evangélica como um todo é a necessidade e o gosto por novidades. E de tempos em tempos surgem, no meio da igreja, “novos ensinos” ou “novas maneiras” de interpretar e aplicar os ensinos bíblicos.
A Teologia da Prosperidade, conforme pesquisa feita, é um movimento de origem americana, que passou a ter enorme receptividade aqui no Brasil a partir dos anos 80. Conhecida, também, como “confissão positiva”, cujas idéias básicas surgiram no meio de algumas seitas sincréticas da Nova Inglaterra, no início do século 20.
Conforme informações obtidas no site da Revista Ultimato, devido a algumas afinidades com a cosmovisão pentecostal, como a crença em profecias, revelações e visões, foi neste meio em que a aceitação da Teologia da Prosperidade foi maior.
Esta teologia teve início através de um homem chamado ESSEK WILLIAN KENYON (1867 – 1948), que foi estudante, em Boston, do Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendente” ou “metafísico”.
Segundo a Revista, tal movimento ensinava que a realidade está além do âmbito físico e que a esfera do espírito é superior e controla o mundo físico, e que a mente humana pode controlar a esfera espiritual. Consequentemente, a mente humana pode controlar o mundo material por meio de sua influência sobre o mundo espiritual.
Tais ensinos se tornariam a base da crença de Kenyon, que acreditava serem compatíveis com o cristianismo e podiam aperfeiçoar a maturidade cristã.
Mais conhecido no Brasil, KENNETH HAGIN (1917 – 2003), foi o grande divulgador das idéias de Kenyon, que dizia: “Creia no seu coração, decrete com a sua boca e será seu. Seus ensinos influenciaram a muitos outros e, por volta dos anos 80, a ideia da Confissão Positiva e do Evangelho da Prosperidade chegaram ao Brasil.

3  PRÁTICAS DENTRO DO PAGANISMO

Como alternativa de culto, o paganismo assume diversas formas e leva a seus adeptos à idéia de buscarem uma variada gama de “meios” para satisfazerem suas necessidades particulares. São práticas que refletem mais amor próprio e um amor a falsos deuses.
As pessoas passam a “depositar” a sua fé em certos “deuses”, através de certos rituais e vivem a aguardar que os “benefícios mágicos” surjam e venham suprir as suas necessidades. Necessidades estas que são, muitas vezes, reflexos de almas vazias, relutantes em se entregar ao Verdadeiro Deus, buscando o “imediatismo” e o “cheio de atalhos” modo de viver.
São reverência e adoração a estátuas, misticismo de imagens e de rituais (velas e incensos, fitas mágicas, cristais poderosos, plantas milagrosas, copos d’água, pinturas, cânticos de invocação, cartas, tarôs, meditações, e uma lista interminável de criatividade), que passam a atrair milhares de pessoas e as prendem sob a alegação do cumprimento destas falsas promessas, que visam proporcionar “um grande conforto espiritual” e “prosperidade material”.
Por não crerem no Único Deus, que pode dar a solução, conforme deve ser dada, as pessoas passam a buscar “atalhos”, acreditando na solução mágica e poderosa dos objetos e ritos praticados.



4  A PRÁTICA PAGÃ, A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E A IGREJA

Muitos ensinos da Teologia da Prosperidade são questionáveis. Os pontos cruciais da fé, o verdadeiro ensino bíblico, a oração e as prioridades da vida cristã são ideais cada vez mais distantes da fé cristã histórica. Tais ensinos e novas maneiras de interpretar e usar a Bíblia procuram legitimar o que a sociedade capitalista tem buscado ferozmente: sucesso, dinheiro e poder.
A riqueza é vista como bênção de Deus, obtida através da ideia da confissão positiva: “O que eu confesso, eu possuo”. Elas estimulam e influenciam aos seus membros a fazerem declarações positivas sobre aspectos de suas vidas que desejam melhorar, e para isso, passam a usar, também, meios escusos para “abençoar” vidas através de práticas pagãs de idolatria e busca de uma prosperidade que nada tem a ver com a cristã.
As igrejas desta doutrina põem uma ênfase acentuadamente desmedida sobre a importância, logo, a obrigação, da prática dos dízimos e das ofertas.
A dificuldade de se enxergar o que está errado com esta teologia e com suas práticas é que ela não nega as verdades fundamentais do cristianismo, mas utiliza a Palavra de Deus como permissividade bíblica para o enriquecimento e a prosperidade como sendo o foco da vontade de Deus para as pessoas.
Esta teologia não nega a verdade cristã, mas a põe com elemento coadjuvante para o sucesso e a vitória, seja em qual forma for. É uma triste realidade verificar que o “deus” que é apresentado é mercenário, só ajuda com “algo” em troca e este “algo” sempre será movido a dinheiro, como um negócio.
As pessoas são levadas a cultuar “objetos de misticismo” (a um certo preço), depositando neles a sua fé, criando nestes indivíduos uma reverência supersticiosa nas coisas ditas “poderosas” para fazerem milagres: “BASTA TER FÉ”. É o chamado misticismo evangélico-pagão, corroborado pelo desconhecimento das Escrituras, cheio de simbologias, práticas e técnicas que não fazem parte das tradições cristãs, mas do paganismo.
As pessoas, por desconhecerem a Palavra, ou não a levarem em conta, ignoram o conselho dado em Cl 2:8, que diz: “Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (NVI).
Como hábito de práticas místicas-pagãs, utilizando o suposto poder das palavras, são criadas frases de “poder”, objetos são considerados portadores de bênçãos ou poderes mágicos, bem como são praticados rituais estranhos, principalmente, sessões de exorcismo e de “adivinhação”.
E o que vemos são pessoas “buscando” lenços com poderes para mudar causas impossíveis, sabonetes ungidos, gravata ungida do pastor, rosa ungida, banhos de descarrego, oração forte de poder, unção sobre roupas e fotografias, corredor dos 300 ungidos, carteira da prosperidade, unção do riso e dos urros, e por aí vai.
Quero mostrar, a seguir, alguns exemplos de “coisas gospel” mercantilizadas, “em nome de Jesus”:
pérolas gospel, vinho do amor, apóstolo adelino        pofetiza, falsa profecia, falsos profetas
Chave do templo de Salomão     Espada do rei Davi     Algema para libertação 


 Carteira eu vou prosperar  Aliança de Escravo a governador  Tirinhas, humor cristão, igreja ou supermercado?
http://igrejacristovive.com.br/wp-content/themes/iecv/images/pagseguro.jpg     pão consagrado, o outro evangelho      imagens, reflexão, fotos, igreja, evangélica, folheto           
contribuição, oferta       tirinha, humor cristão, ovo de páscoa é coisa do mundo
Teologia da prosperidade, campanha, falsas doutrinas
5  CONCLUSÃO

A maior tristeza, para não dizer perplexidade, no meio evangélico é que estão pregando um evangelho anátema, e que pessoas, por desconhecerem a Verdade, estão se deixando enredar pelas sutilezas de Satanás.
Cada vez mais igrejas, que professam este tipo de teologia, estão lotadas, onde pessoas buscam respostas imediatas e fáceis para suas vidas e o Evangelho de Cristo é banalizado.
Com o dinheiro fácil das ofertas e dos dízimos e com a venda de milagres e outros produtos “gospel”, grandes impérios se levantam para mercantilizar a fé e ofuscar a visão de Reino a qual Jesus veio proclamar.
Para concluir, que reproduzir um trecho do texto de Augustus Nicodemos Lopes, extraído de um site pesquisado (http://tempora-mores.blogspot.com/2012/06/afinal-o-que-esta-errado-com-teologia.html), onde a seguinte pergunta é feita:
“AFINAL, O QUE ESTÁ ERRADO COM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE?”
·         Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos reivindicar ou exigir dele.
·         Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.
·         Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.
·         Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.
·         Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.
·         Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demoníacos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.
·         Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade, mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo.
·         Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco.
·         Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais aqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.
·         Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem, mas a vontade soberana de Deus.
·         Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus.
·         Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde.

Que Deus nos livre das “novidades teológicas” que só vêm para afastar as pessoas do conhecimento do Verdadeiro Deus que promovem uma idolatria, um paganismo travestido de “permissividade” bíblica.


REFERÊNCIAS

·                RAÍZES HISTÓRICAS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - Disponível na internet. http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/313/raizes-historicas-da-teologia-da-prosperidade. Acesso em 06 de setembro de 2013.

·                AFINAL, O QUE ESTÁ ERRADO COM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - Disponível na internet. http://tempora-mores.blogspot.com/2012/06/afinal-o-que-esta-errado-com-teologia.html. Acesso em 06 de setembro de 2013.

·                MISTICISMO EVANGÉLICO-PAGÃO - Disponível na internet. http://www.infowebsolucoes.net/gracapaz/index.php?option=com_content&view=article&id=246:misticismo-evangelico-pagao&catid=51:spotlight-news-1&Itemid=153. Acesso em 06 de setembro de 2013.


·                 Bíblia On Line: Disponível em: http://www.bibliaonline.com.br/                       (Versão: PortuguêsNova Versão Internacional).

·                 Wikipedia: Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia







[1] Bacharelando em Teologia – Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste – Recife/PEfjmeira@gamil.com

Práticas pagãs e a Teologia da Prosperidade - Rogério Lima

Práticas pagãs e a Teologia da Prosperidade


Rogério Lima
Cursando Bacharel em Teologia


Resumo: O presente trabalho tem como objetivo mostrar a existência das praticas pagãs nas denominações que utilizam a doutrina da prosperidade, suas origens, seus fundamentos, as criticas, testemunhos de pessoas que já frequentaram e participaram de reuniões nas igrejas que adotam este sistema, exemplos, propostas, textos bíblicos usados como referencia para suas praticas, Reuniões com temas diferentes para cada dia da semana, O que acontece em cada reunião.

Palavras-chave: Prosperidade. Denominações. Praticas. Pagãs. Igreja. Reunião. Origem.

Introdução: Este trabalho fala sobre as praticas pagãs e a teologia da prosperidade, que existe em comum entre si. A origem, as críticas feitas à teologia da prosperidade, as práticas e algumas denominações que fazem o uso dessas práticas. Foram utilizadas algumas ferramentas para pesquisas tais como: Internet, Livros, Bíblia, etc.

1.    Origem

Foi a partir dos anos 1950 que a Teologia da Prosperidade ganhou destaque durante os avivamentos de cura chamado de “healing revivals” nos Estados Unidos. Alguns especialistas associaram as suas origens ao Movimento Novo Pensamento, movimento espiritual que eclodiu nos Estados Unidos no final do século XIX enfatizando nas crenças metafísicas.
Os ensinamentos da teologia da prosperidade ganharam mais destaque no movimento Palavra da Fé no televagelismo dos anos 1980. Em meados dos anos 1990 e 2000 foi adotada por líderes influentes do Movimento Carismático, sendo promovida por missionários cristãos em todo o mundo, e obrigando à construção de grandes igrejas para atender a demanda de fiéis ao movimento. Alguns Líderes notáveis no desenvolvimento da teologia da prosperidade incluem E. W. Kenyon, Oral Roberts, T. L. Osborn e Kenneth Hagin.
Conhecida também como Evangelho da Prosperidade, baseada em interpretações não tradicionais da Bíblia como um contrato entre Deus e os humanos – se os humanos tiverem fé em Deus, Ele irá cumprir suas promessas de segurança e prosperidade. É uma doutrina religiosa cristã que defende que a benção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel.
A doutrina enfatiza a importância da inclusão pessoal, propondo que é da vontade de Deus ver seu povo feliz. A expiação (reconciliação com Deus) é interpretada de forma a incluir o alívio das doenças e da pobreza, que são vistas como maldições a serem quebradas pela fé.
As igrejas nas quais o evangelho da prosperidade é ensinado são geralmente não-denominacionais e usualmente dirigidas por um único pastor ou líder, apesar de que algumas desenvolveram redes que se assemelham a denominações. Algumas igrejas dedicam um longo tempo aos ensinamentos sobre o dízimo, o discurso positivo e a fé. Igrejas da prosperidade geralmente ensinam sobre responsabilidade financeira, apesar de que alguns jornalistas e acadêmicos têm criticado seus conselhos nessa área como enganosos.

2.    Criticas

A teologia da prosperidade tem sido criticada por líderes dos movimentos pentecostal e carismático, assim como de outras denominações cristãs. Eles argumentam que ela é irresponsável, promove a idolatria e é contrária às escrituras. Alguns críticos argumentam que a teologia da prosperidade cultua organizações autoritárias, onde os líderes controlam as vidas dos membros.
A doutrina tem seu sucesso atribuído, na Coreia do Sul, às semelhanças com a cultura xamanista tradicional (termo genericamente usado em referência a práticas etnomédicas, mágicas, religiosas e filosóficas, envolvendo cura, transe, supostas metamorfoses e contato direto entre corpos e espíritos de outros xamãs, de seres míticos, de animais, dos mortos, etc). No Ocidente, a teologia da prosperidade tem atraído seguidores das classes média e baixa e tem seu sucesso ligado às semelhanças com o fenômeno do culto à carga, à religiosidade tradicional africana e à teologia da libertação das igrejas afro-americanas.

3.    Práticas

As igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade na verdade fazem uma mistura de protestantismo, catolicismo e religiões afro-brasileiras, muitos afirmam que essas igrejas não passam de um terreiro de macumba evangélico.
Essas denominações adotaram em seus cultos ritos católicos tais como: novenas, ramos, água benta, procissão e outras práticas de religiões afro-brasileiras com seus ritos: fita, rosa ungida, peixe orado, sabonete do descarrego, espada de são Jorge, enxofre, sal grosso, desmanche de trabalhos, invocação de espíritos da umbanda e candomblé (exu, pomba-gira, caboclo, guias, tranca-rua e outras entidades).
Muitas vezes ouvimos testemunhos de pessoas que frequentam ou frequentaram essas denominções colocando sempre a pessoa de Jesus em último plano, exaltando a denominação e não a Jesus. Nos testemunhos das pessoas escutamos sempre os mesmos discursos como: “quando eu fui para a igreja a minha vida mudou, abri o meu próprio negócio, comprei a minha casa própria, fiz uma piscina, sou empresário, comprei um sofá novo, etc.”. Jesus fica sempre em último plano.

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" – 1Timóteo 2:5.
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" - João14:6.

Podemos observar algumas práticas que só são vistas dentro dos terreiros de umbanda, macumba e candomblé, aonde as pessoas são levadas por corredores enormes e muitas vezes ajoelhadas e arrastadas, para interrogatórios aonde o suposto espírito possuidor fala e esbraveja enquanto é interrogado.
A palavra de Deus nos diz em João 8:44 - O diabo e seus demônios são mentirosos e neles não há verdade e que nos últimos dias esses espíritos falariam e ensinariam mentiras, por esse motivo qualquer movimento religioso que dá muita ênfase no que dizem os espíritos satânicos, é uma prática perigosa e antibíblica, vejamos o que nos diz as Escrituras Sagradas (Bíblia):
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” - 1Timóteo 4:1.

Muitas vezes nos cultos evangélicos, os pregadores da libertação chegam a invocar demônios para que se manifestem, ordenando-os a se manifestarem chamando cada um pelos nomes. Eles utilizam uma relação de nomes de orixás da umbanda e do candomblé, parecendo ser uma reunião para invocação aos demônios.
Esse tipo de conduta não é encontrado na Bíblia, nem Jesus nem os discípulos mandaram os demônios se manifestarem. Os relatos Bíblicos mostram que as manifestações foram espontâneas (Marcos 1:23,24; 3:11).  Muitas vezes os demônios se manifestavam na presença de Jesus. Quando o cristão está em Cristo Jesus o inimigo fica incomodado, porque sabe que não pode tocar no servo do Senhor Jesus.
O apóstolo Paulo já percebia essa tendência mercadológica e para combatê-la, usou uma palavra “simonia” – que significa a venda de favores divinos, bênçãos, cargos eclesiásticos, prosperidade material, bens espirituais, coisas sagradas, objetos ungidos, etc. em troca de dinheiro. É o ato de pagar por sacramentos e consequentemente por cargos eclesiásticos ou posições na hierarquia da igreja, ou seja, falsificar ou mercadejar a Palavra de Deus. Alguns textos bíblicos refutam o evangelho da prosperidade, que promete uma vida prospera “materialista” levando o homem à ganância pelos bens materiais. Vejamos o que Jesus diz:
“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” – Mateus 6:19-20.
“Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundancia dos bens que ele possui.” – Lucas 12:15.

Vejamos alguns exemplos de praticas pagãs nas denominações que utilizam a teologia da prosperidade. 1. As reuniões enfatizam um tema diferente em cada dia da semana. Os domingos e quartas-feiras se concentram no crescimento cristão e encontros com o Espírito Santo, enquanto que os outros dias são para atrair os novatos, mas os membros também podem participar. 2. As reuniões das segundas-feiras tem como foco a prosperidade financeira. Os participantes nesse dia são, na maioria, desempregados, pessoas frustradas com suas finanças pessoais e carreiras alem de empresários que desejam progredir e manter o seu sucesso, o encontro é chamado de “Reunião da Nação dos 318”. 3. As reuniões das terças-feiras, chamada “sessões de descarrego”, tem como prioridade a saúde ao libertar os participantes ou seus entes queridos das forças do maligno que inibem seu desenvolvimento físico, mental e o emocional. 4. Reuniões da quinta-feira são relacionadas à família, eles buscam resolver problemas de felicidade no lar ou alguém da família que está precisando de ajuda. 5. As reuniões das sextas-feiras são dedicadas à libertação. Nesse dia pastores e obreiros exorcizam demônios de todos os tipos. O dia da sexta-feira é escolhido para sua “corrente da libertação” porque os centros de umbanda realizam um importante ritual no mesmo dia da semana. As reuniões das terças-feiras “sessões de descarrego” também possui correlação com a umbanda. Nessas reuniões especificas, os pastores combatem, ordenam e expulsam demônios. Os nomes dos demônios são associados a entidades afro-brasileiras. 6. Aos sábados são realizadas duas reuniões, a “Terapia do Amor” atrai solteiros com o propósito de encontrar um cônjuge. Uma segunda reunião trata das causas impossíveis, ou seja, situações difíceis de serem resolvidas, como finanças, família, saúde ou sentimentos que só o Senhor pode resolver. A abordagem é semelhante à tradição de Santo Expedito, famoso em resolver causas impossíveis.
Essas denominações têm crescido de forma impressionante, tanto em quantidade de igrejas, de participantes, principalmente na parte financeira e bens materiais.

4.    Visitas a Igrejas

Igreja internacional da Graça de Deus - em maio de 2010 visitei esta igreja e ao entrar no templo avistei uma caverna, construída no altar denominado de “A GRUTA DOS MILAGRES”, tendo como base o livro de João 11:25. Existia uma porta de entrada e outra de saída, a pessoa que entrasse na gruta deixaria ali todo o mal que existia sobre ela, e ao sair ficava limpo, purificados. Essa prática acontecia aos domingos.
O culto iniciou com uma oração, logo após começou o louvor com as canções “restitui e quero ver a mão do senhor tocar em teu viver”. Em seguida o ministro da graça tomou a palavra, dando continuidade ao culto convidando todos os fieis para se aproximarem do altar, trazendo os seus pertenceis, tais como: bolsa, receita médica, camisa, calça e outros pertences para que fosse feita uma oração de cura e libertação (expulsar demônios) e durante esse processo de cura e libertação foi entoado um louvor mais ou menos assim:

“Quem crer em cristo maravilha faz, cura as doenças e expulsa satanás, sai, sai, sai satanás em nome de Jesus...”.

Em seguida o pastor contou uma história que tinha retirado um tumor localizado na nuca de uma pessoa, e após a oração ele escutou um sopro e o tumor desapareceu. O tema da pregação era “PROVISÃO DIVINA”, representado por uma miniatura de uma “PANELA DE BARRO” acompanhada de um saquinho de farinha ou azeite, ou seja, uma sexta-feira com a farinha e na outra sexta-feira com o azeite que eram entregue pelo pastor. Algumas pessoas que já tinha recebido a panela de barro e alcançaram os seus pedidos foram convidadas para dar testemunho, por exemplo:

“Uma senhora Falou que o seu filho estava desempregado e ela tinha feito o que ministro da graça (pastor) tinha lhe ensinado. Pegou a panela de barro que tinha recebido (da igreja) na semana anterior junto com a farinha, colocou a farinha na comida do seu filho e panelinha ao lado do prato. Após ter almoçado ele levantou e disse para sua mãe que ia à casa do seu irmão. De volta para casa falou para a sua mãe que o seu irmão tinha lhe dado um dinheiro e que tinha conseguido um emprego para ele, o pastor falou que o milagre foi atribuído a panela de barro, que representa provisão”.

Após o testemunho, mais louvor com uma marchinha que dizia:

 “Jesus é bom, é bom até demais pra quem agradecer as obras que ele faz. quem crer em cristo maravilha faz, não adianta satanás que você não vai vencer que o nome de Jesus tem poder. aquela doença que você fez pra mim Jesus cristo foi à frente...”.
Encerrando a música o pastor ofereceu a ”panela de barro” para quem ainda não tinham recebido dizendo que era o símbolo da provisão, acompanha por um saco de farinha para que não faltasse provisão na nossa casa. O pastor dizia que a Fé é um instrumento que Deus honra, ou seja, ele estava se referindo a panela de barro que seria o instrumento da fé (1Reis 17:12), Deus materializa o que está escrito, e tem que ser provido em áreas diferentes da vida das pessoas como: saúde, problemas sentimentais, financeiro, provisão e outros. O pastor pedia para que as pessoas fizesse um pedido a Deus e após o pedido teria que vir aos cultos durante doze sextas-feiras sem interromper, para que o pedido fosse atendido.
Em seguida ele pediu os envelopes dos dízimos para as pessoas que tinham levado na semana passada foram recolhidos. Houve mais testemunhos sobre a panela de barro. Chegou a ora das ofertas, o pastor falou: “agora abram as suas bolsas e deem suas ofertas, pode ser de R$ 100,00, R$ 50,00, R$ 20,00 ou R$ 10,00”, falando quem dá mais é uma prova de que está crescendo, se você for uma pessoa medrosa não vai conseguir nada, não tenha medo de ofertar, depois de muita insistência ele disse: quem não puder dá hoje não tem problema, com tanto que tragam no domingo, para pagar a rede de TV. Tragam pelo menos R$ 23,00, que representa o Salmo 23.
O pastor continuou falando que todos nós somos iguais, que até Moisés acordava com mau hálito. Ele quis dizer que Moisés era igual a todo mundo. Em seguida ele falou que o espírito pegou todo aprendizado dos profetas e colocou em nossas vidas. Foi dito também que “O pulo do gato” de uma vida está nas escrituras 1Crônicas 28:9 – primeiro você tem que conhecer a Deus, mais para isso você tem vir com frequência as reuniões.Servir com o coração perfeito e espírito voluntário sem mentiras. Deus não aceita um coração defeituoso. E continuou falando, se nós andarmos com Deus, ficar perto Dele, você vai ter sempre dinheiro, e deu como exemplo seu filho: Se o meu filho ficar perto de mim, ele vai ganhar dinheiro, sim porque o meu filho não tem R$ 100,00 (cem reais), mais se estiver comigo (perto), vai ganhar brinquedos, um lanchinho e dinheiro.
Continuou falando, se você buscar a Deus Ele acha você. Deus te escolheu e você tem que se esforçar, você tem uma missão, limpar o seu nome. Este foi o pulo do gato que Davi deu para o seu filho Salomão. Em outras palavras o povo teria que se esforçar para dar dinheiro a igreja.
A oração final, o pastor pediu que todos repetissem a oração: “Eu confio no deus do pastor, conheça o deus do pai, nós precisamos do deus do pastor, venha na minha vida, volta hoje”. Para finalizar o pastor orou para que haja provisão na casa dos fieis, orou para que Deus abra as portas da prosperidade.
Igreja Universal do Reino de Deus - certo dia fomos convidados para assistir um culto e ficamos horrorizados com a postura do pastor, e como ele conduzia o culto, se é que podemos chamar de culto (estava mais para uma lavagem cerebral), sempre pedindo dinheiro, quantias perto de mil reais, e iam baixando até chegar ao ponto de pedirem R$ 1,00 (hum real). De repente ouvimos uma pancada no púlpito (um murro) e um grito de revolta do pastor falando a igreja: “vocês são uns incrédulos, a sua fé é medida pelo tamanho da sua oferta...”. Os obreiros, eram homens fortes de aproximadamente 1,90 metros, ficavam olhando para os visitantes de braços cruzados como se estivesse intimidando as pessoas, no final do culto o pastor saiu sem se despedir da igreja.

5.        Denominações no Brasil

A Igreja Universal do Reino de Deus, que ganhou maior aceitação dentro de movimento carismático durante a década de 1990 atualmente, segundo dados do censo de 2010, a sexta maior igreja cristã do Brasil, que professa a doutrina.
Também se destaca no país a Igreja Mundial do Poder de Deus que, com 315 mil fiéis, apareceu pela primeira vez no censo. Há também, entre as igrejas seguidoras da doutrina, a Internacional da Graça de Deus e a Renascer em Cristo, essas igrejas praticamente lideram aqui no Brasil.
Segundo o censo de 2010, a maioria dos seguidores do movimento pentecostal no Brasil – onde estão incluídos os seguidores das igrejas que professam a teologia da prosperidade – são mulheres, residentes de áreas urbanas, de 30 a 49 anos de idade, de cor parda, com ensino fundamental incompleto e com rendimento médio de até três salários mínimos.

6.    Conclusão

O assunto abordado neste trabalho é mostrar a origem da teologia da prosperidade, seus ensinamentos, seus lideres, as igrejas que praticam esse tipo de doutrina, suas práticas pagãs e as criticas feitas por lideres de outras denominações. A finalidade maior é mostrar a falta de caráter dos lideres dessas denominações, que usam a palavra de Deus sem nenhum temor, apenas com a finalidade de tirar dinheiro das pessoas que frequentam essas igrejas.
A elaboração desse trabalho foi muito importante, nos deu mais conhecimento através das pesquisas realizadas, as quais nos trouxeram informações que antes não era do nosso conhecimento.

   

REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada / Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

Bledsoe, David Allen. Movimento neopentecostal Brasileiro: IURD: um estudo de caso / David Allen Bledsoe. São Paulo: Hagnos. 2012.


Consulta a Internet.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ECUMENISMO E EXCLUSIVISMO CRISTÃO. - Cacilda Feitosa

ECUMENISMO E EXCLUSIVISMO CRISTÃO.
¹Cacilda Feitosa
¹ Seminarista do IV ano do curso de teologia do Seminário teológico Pentecostal do Nordeste



RESUMO


          Este artigo  apresenta conceitos e apreciações referentes ao significado de ecumenismo e exclusivismo cristão. Para que sirva como instrumento aos estudiosos da Palavra de Deus como matéria de esclarecimento e defesa da fé cristã frente a heterogeneidade religiosa em que vivemos em que os cristãos acabam sendo nomeados de intransigentes por afirmar que só Jesus é o caminho.
Palavras Chave: Ecumenismo e Exclusivismo Cristão


1. INTRODUÇÃO

          Um dos grandes questionamentos da sociedade contemporânea com relação aos cristãos é: como pode alguém em dias hodiernos sustentar a ideia, de que existe apenas um caminho para Deus? Para entendermos esse conceito, precisamos analisar sob vários ângulos.
           A principio começaremos analisando a afirmação do ponto de vista da mídia sob o questionamento de que existe apenas um caminho para Deus -  Esta, com a desculpa de promover a cultura, manipulam as mentes incautas e aptas ao sincretismo religioso, ocasionando situações em que os cristãos acabam sendo taxados de intolerantes ao afirmar que só Jesus é o caminho.
          A partir desse paradigma, Levantam-se a seguintes questões: existe apenas um caminho para Deus? Não é, verdadeiramente, ofensivo afirmar que só Jesus Cristo é o caminho? Todos os caminhos não levam a Deus?
          Contrapondo essas questões, nós os seguidores de Jesus Cristo - Afirmamos categoricamente com base na Bíblia que Ele é o Filho de Deus; Ele é o Senhor e Salvador e crer NELE é essencial para obter a salvação. Logo, respondemos a estes questionamentos com um NÃO, não há outro caminho que leve a Deus a não ser JESUS CRISTO. As Sagradas Escrituras apontam uma série de inscrições que asseveram esta verdade, por exemplo:
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16
“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4.12
               O presente trabalho busca apresentar explicações com diretrizes à luz da Bíblia para orientar e fortalecer os seguidores do Mestre Jesus Cristo no tocante a  uma defesa mais eficaz da crença por que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação da humanidade. Alertando assim, a verdadeira Igreja de Cristo do perigo que o ecumenismo representa.

2.  ECUMENISMO SENTIDO LATO E RESTRITO
          O termo provém da palavra grega "oikos" (casa), designando "toda a terra habitada num sentido lato, pode designar a busca da unidade entre as religiões ou, mesmo, da humanidade, emprega-se também neste sentido o termo "macro-ecumenismo".". Num sentido mais restrito, emprega-se o termo para os esforços em favor da unidade entre igrejas cristãs;[2]
          O Dicionário Aurélio define ecumenismo como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs. (grifo nosso)
           Sobre a perspectiva macro ecumenica o Cristianismo aponta o ecumenismo  como um movimento entre diversas denominações cristãs na busca do diálogo e cooperação comum, que por sua vez, busca superar as divergências históricas e culturais, a partir de uma reconciliação cristã que aceite a diversidade entre as igrejas.
          Assim como, o ponto de vista da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, o termo ecumênico quer representar que a Igreja de Cristo vai além das diferenças geográficas, culturais e políticas entre diversas igrejas. Nos ambientes cristãos, a relação com outras religiões costuma-se denominar diálogo inter-religioso.
          A grande questão do ponto de vista evangelico cristão quanto a aceitação das divergencias historicas, culturais e a diversidade entre as igrejas são: Como conciliar ensinamentos baseados na existência de um Purgatório para as almas perdidas; na função intercessora de Maria, no sumo sacerdócio papal como também nas práticas católicas da veneração a Maria e aos santos? Fica claro a incongruência entre a fé cristã professada pela Igreja Protestante, por ser categórica quanto a adorar só a um Deus e ter Jesus como único Salvador e Mediador entre Deus e os homens, e aceitar  postulados bíblicos, contrario a esta fé cristã genuína desprezando os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos.
           Não dá para entender a postura de algumas Igrejas Protestantes que se predispuseram a assinar um tratado ecumênico com a Igreja Católica! É lógico afirmar que elas estão instantaneamente reconhecendo o papa, em vez de Cristo, como o líder supremo da Igreja, encerrando os olhos para diferenças doutrinárias enormes contrárias à doutrina bíblica. Em outras palavras eles apostataram da fé genuinamente cristã.
          Para reforçar essa incongruente posição, a proposta do ecumenismo contemporânea não está restrita apenas às igrejas historicamente classificadas como cristãs ou monoteístas a saber: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Nos cultos ecumênicos no Brasil, há pelo menos um representante de cada religião! Existe um movimento mundial de união entre várias religiões, inclusive as mais destoantes em relação à Bíblia como o candomblé, a umbanda, a quimbanda, o budismo, o hinduísmo, o xintoísmo.
       
3. COM BASE NA ELUCIDAÇÃO A RESPEITO DO QUE É ECUMENISMO, PRECISAMOS ENTENDER O QUE É  EXCLUSIVISMO CRISTÃO.

          Para Norman Geisler no verbete exclusivismo da Enciclopédia de Apologética, no que tange o exclusivismo religioso:
“O exclusivismo religioso afirma que apenas uma religião pode ser verdadeira, e todas as outras opostas à única religião verdadeira devem ser falsas”
          Partindo da premissa de que fé e razão não são inimigas. A explicação do eminente teólogo lança uma luz e abre o caminho para o raciocínio de que quando temos algo exclusivo, logicamente temos: a afirmação da verdade condiciona tudo àquilo que lhe é contrária como algo falso. (grifo nosso)[3]

3.1 PODEMOS AFIRMAR QUE SÓ O CRISTIANISMO AFIRMA SER EXCLUSIVISTA?
          Com base na concepção de Norman Geisler de que “o exclusivismo religioso afirma que apenas uma religião pode ser verdadeira, e todas as outras opostas a única religião verdadeira devem ser falsas” podemos afirmar que só o cristianismo afirma ser exclusivista? Para responder a essa questão Trazemos a baila alguns grupos que se classificam como exclusivistas, são eles:
         Os muçulmanos - são exclusivistas de modo radical; além de reivindicar ser a única verdade teológica, creem que quando seus credos expostos no Alcorão são anunciados noutra língua a mensagem pode ser dessacralizada. O ideal é que a mensagem seja propagada no próprio idioma árabe.
          Os Budistas - surgem como detentores de um nobre caminho de crescimento espiritual distinto de todos outros. Sidarta Gautama, fundador do Budismo rejeitou os ensinos do Hinduísmo, incluindo os a literatura dos Vedas e o sistema de castas.
         O Hinduísmo –  é tão exclusivista que toda e qualquer manifestação religiosa que vá contra ou que seja distinta aos ensinos relacionados ao carma, os Vedas, a crença na reencarnação e o sistema de castas são tidos como inimigos.
         Até mesmo o Ateísmo acaba sendo um sistema exclusivista! Alegam que, por estarem “livres” de toda e qualquer concepção acerca de Deus, são o mais perfeito caminho a ser seguido.
          Do mesmo modo, existem muitas outras religiões se auto proclamando detentores da verdade divina. Podemos concluir que o cristianismo não é o único sistema de crença exclusivista, mas tem uma coisa que faz toda a diferença é o único sistema de crença em que tem o Crucificado, Jesus Cristo. Os mestres, gurus e fundadores de religiões não foram para cruz, só Ele foi.  O sacrifício de Jesus Cristo foi suficiente para redimir toda a humanidade perante Deus e nenhum sacrifício humano, modificará ou invalidará o Sacrifício já feito por Ele.
           Jesus disse que quem com Ele não ajunta, espalha (Lucas 11.23). Logo os que não estão com Ele, estão contra Ele. Jesus veio ao mundo para pagar o preço do pecado, fazer do homem um ser verdadeiramente livre para que pela graça todo homem possa ser salvo ao recebê-Lo como seu Senhor e Salvador.
4. CONCLUSÃO
          O plano que Deus traçou à humanidade é transmitido de modo coerente e claro.  A Palavra de Deus demonstra isso. Paulo explica que o poder e a divindade de Deus são conhecidos por meio da ordem criados a nosso redor, de modo que os homens são indesculpáveis (Romanos 1.20), e que Deus escreveu sua lei moral no coração dos homens, de modo que estes são moralmente responsáveis perante Deus. (Romanos 2.15).
          Embora Deus ofereça vida eterna a todo aquele que responde de maneira apropriada à Revelação Geral Divina na natureza e à consciência (Romanos 2.7), o homem por sua natureza pecaminosa se rebela contra Deus, em vez de adorá-lo e  servi-lo, achincalham de Sua lei moral ignorando-o, (Romanos 1.21-32). Portanto, todos os homens estão irremediavelmente debaixo do poder do pecado (Romanos 3.9-12).           A situação se agrava à medida que Paulo avança elucidando que ninguém pode redimir a si mesmo por meio de uma vida reta (Romanos 3.19,20).
           Deus na sua incomensurável e eterna misericórdia providenciou um meio de saída: Cristo morreu pelos nossos pecados, satisfazendo assim as exigências da justiça divina e promovendo a reconciliação da humanidade com Deus. (Romanos 3.21-26).  
           Por meio da morte expiatória de Cristo, a salvação é disponibilizada como dom a ser recebido pela fé. “A coerência do Novo Testamento é fulgente: a universalidade do pecado e a singularidade da morte expiatória de Cristo implicam não haver salvação à parte de Cristo.”
          Finalizando, as religiões distintas podem ter excelentes ensinos, moral elevado, mestres extraordinários, códigos de ética rigorosos e que até possam implicar resultados utilitários, mas apenas Jesus Cristo morreu na cruz e cumpriu com as exigências que eram necessárias para que o caminho para Deus nos fosse aberto. JESUS, NOME ACIMA DE TODOS OS NOMES, APENAS ELE É O ÚNICO  CAMINHO!
          Na verdade, o ecumenismo pregado por essa sociedade apartada de Deus não visa em momento algum promover a salvação em Cristo e Seu Reino aqui na terra. Antes, sob comando do Anticristo, pregam a fraternidade, a tolerância e o amor entre os díspares, visando à globalização e à promoção uma religião única, satisfazendo, outrossim, a vontade de satanás e não a vontade de Deus Pai, revelada através das Escrituras.
          São varias as razões que dizemos NÃO ao ecumenismo. Alertamos aos cristãos quanto à enganação, à simulação e aos perigos desse movimento que objetiva prostituir espiritualmente a verdadeira Igreja de Cristo, a fim de leva-la a idolatria o que consequentemente a apostatar da fé puramente cristã, culminando, portanto na perdição eterna.


REFERENCIAS
[2] GEISLER, Norman L. Enciclopédia de apologética. Editora Vida. São Paulo, SP: 2002. p.332
www.solascriptura-tt.org/SeparacaoEclesiastFundament[3]

 MORELAND, J.P. & CRAIG, Willian Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo, SP: 2005. p.742

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A APOLOGÉTICA DE FRANCIS SCHAEFFER




Ser professor de teologia em um Seminário interdenominacional às vezes não é tarefa fácil, principalmente quando nos deparamos com a pluralidade de posições e pressupostos teológicos que emergem das diversas denominações representadas em sala de aula.
É perceptível que no cotidiano em sala de aula, que a simples adoção de uma posição teológica causa uma barreira pedagógica em especial para aqueles alunos que adotam posições antagônicas a do professor.
Contudo, na disciplina de apologética, onde cada abordagem consignada nas literaturas, naturalmente já estabelece uma apologética em favor do seu próprio método e pressupostos, resolvi, mesmo a contra gosto, advogar uma metodologia, que é a abordagem de Francis Schaefer, também conhecido como pressupocinalismo prático. O qual tentarei explicar em linhas gerais, já que tenho como premissa que um “post” nas formatações que uso, não deve ultrapassar duas folhas de A4.
A abordagem tem como ponto de partida a idéia pressuposicional que há um Deus (Deus-Infinito-Pessoal) que se revelou ao homem por meio das Escrituras Sagradas, de maneira tal, que tal revelação dá sentido a realidade imposta. 
A abordagem Pressupocionalista de Van Til parte do mesmo ponto, contudo, assevera que não há entre o Incrédulo e o regenerado nenhum  terreno em comum, onde se possa estabelecer uma conexão dialógica, ou seja, em linhas gerais,
pressupostos antagônicos, visões de mundo antagônicas, que inviabilizariam o dialogo.
Como todo pressupocionalista, Schaeffer  defende que todo o homem é dotado de pressupostos que contribui para a sua visão de mundo, contudo, diferentemente de Van Til, ele acredita que mesmo com a queda, o fato do homem ser feito a imagem de Deus, permite ao incrédulo compartilhar com o regenerado de valores absolutos morais e racionais, ou mesmo, de dilemas existenciais, perguntas como: Qual o sentido da existência? Quem sou?,De onde vim? Ou, para onde vou?, são comuns a todos os homes, e tentam ser respondidos por todos os sistemas filosóficos.

Ao estabelecer este ponto de contato entre os crentes e incrédulos,  defendendo  uma  leitura racional da realidade, Schaeffer  se aproxima do método evidencialista.

Embora haja a possibilidade de pontos em comum entre as diversas cosmovisões, o incrédulo julgará racionalmente a realidade a partir de pressupostos equivocados, longe da Revelação Divina, levando-o a conclusões ou perguntas equivocadas.  


    Para Schaeffer a possibilidade desta leitura racional das questões em comuns, serve como um ponto de contato para a abordagem apologética, já que é possível que o incrédulo conclua que há uma incoerência em sua forma de ver o mundo. Ao perceber esta incoerência, o mesmo abre um canal para a comunicação das verdades revelacionais.  
Para mim é impossível estabelecer uma apologética cristã que não tenha como supedâneo a verdade revelacional, pois toda cosmovisão que requeira ser cristã deve partir da ótica Bíblica, mesmo que o ponto de contato seja as questões racionais (Morais, Metafísicas ou Epistemológicas), a leitura e a abordagem de uma mente regenerada não tem como prescindir a Revelação.
Em dias onde abundam em nossas livrarias evangélicas obras de evidencialistas clássicos a exemplo de Norman Geisler e Lane Craig, vídeos do segundo, estão aos montes na internet, talvez soe mal declarar, que mesmo que  as provas racionais da existência de Deus sejam uma realidade, e um ponto de contato entre crentes e incrédulos, jamais conduzirão ao homem ao Deus Trino, se não houver a prova da incoerência deste deus criado pela razão, e a substituição deste divindade equivocada pelo Deus que se revelou nas Escrituras, que nada mais é que a idéia defendida por Francis Schaeffer.

Pr. Jonas Silva