terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cosmovisão Cristã - Cristiane Magalhães

COSMOVISÃO CRISTÃ

Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste
Aluna Cristiane Magalhães
Pr. Professor Jonas Silva

Resumo
O presente artigo tem como finalidade abordar sobre um tema muito estudado nos seminários, Cosmovisão Cristã. Trataremos de forma abreviada sobre origem e definições de alguns estudiosos da área. Por fim, descreveremos sobre a necessidade dos cristãos em  viver o Cristianismo coerente com a palavra de Deus e todas as suas implicações em todas as esferas da vida.

Palavras-Chaves: Cosmovisão, Cultura e Dicotomia,

Introdução
Cosmovisão é um sistema filosófico que procura explicar fatos da realidade como se relacionam e se apresentam um ao outro. O termo cosmovisão é a tradução da palavra alemã Weltanschauung, que significa “visão do mundo”, sua origem remete ao século XVIII. Cosmovisão é a maneira que enxergarmos o mundo. É um conjunto de crenças fundamentais que dá estrutura na qual as partes menores da vida se harmonizam. Logo Cosmovisão Cristã é a maneira que enxergamos a vida a partir da história bíblica.

Por que as cosmovisões são importantes?
Uma vez que nossas ideias influenciam nossas emoções, reações e conduta é particularmente importante para nós conhecermos aquilo que cremos e por quê. Na Bíblia está escrito “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv. 27:19), nós somos aquilo que o nosso coração se apega e estudar cosmovisão é a ideia de conhecer a si mesmo.
O neocalvinista Abraham Kuyper utilizou também a tradução alternativa concepção de vida e do mundo que poderíamos também denominar biocosmovisão. Ele argumentava que os cristãos não pode se opor ao relativismo da cultura em nossa época a menos que desenvolva uma perspectiva de vida abrangente baseada na própria Palavra de Deus que é para todas as épocas e lugares. Kuyper, em seu livro Calvinismo, diz: “Graças a esta obra de Deus no coração, a convicção de que o todo da vida do homem deve ser vivido como na presença divina tem se tornado o pensamento fundamental do Calvinismo. Por esta ideia decisiva, ou melhor, por este fato poderoso, ele tem se permitido ser controlado em cada departamento de seu domínio inteiro”.
A historiadora Nancy Pearcey, discípula de Francis Schaeffer, em seu livro Verdade Absoluta, afirma: “A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo. É a impressão da verdade objetiva de Deus em nossa vida interior. Poderíamos dizer que cada um de nós tem um modelo de universo dentro da cabeça que nos diz como o mundo é e como viver nele”. Ela propõe que o cristianismo é a verdade sobre a realidade total, ou seja, ele envolve todas as esferas da vida.
Um clássico sobre cosmovisões é o livro intitulado O Universo ao Lado, que sugere que todos têm um universo mental ou conceitual no qual vivemos, e princípios que explicam as questões fundamentais da vida: Quem somos? De onde viemos? Qual o propósito da vida? Ele coloca o coração como centro da cosmovisão “diz: “Uma cosmovisão é um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma narrativa ou como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos”. O autor do livro James Sire, convida os leitores a examinar muitas cosmovisões para entenderem o universo mental mantido pelas outras pessoas, as que vivem no “universo ao lado”.

A Dicotomia

Afirmação radical é a afirmação de que todo o conhecimento depende da verdade religiosa. Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é o único sobe este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Um sistema que proponha como auto-existe, é, em essência o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como principio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum “deus” é o principio de cada sistema de conhecimento proposto.
Em nossa cultura, os crentes construíram uma cultura paralela entre o sagrado/profano, uma dicotomia onde o trabalho comum é denegrido ao passo que o trabalho na igreja é mais valioso. Restringindo a fé a esfera religiosa e adotando qualquer opinião que seja atual em seus círculos profissionais ou sociais. Costumam compartimentar a sua vida entre o religioso e profissão, pensam apenas em ser cristão no trabalho e não em ter uma visão bíblica para o seu trabalho. Isso acontece porque a religião não é considerada uma realidade objetiva, mas uma questão de gosto pessoal, porém se o cristianismo não tem resposta para o nosso todo, como se sustentará “Uma cultura ou indivíduo com bases fracas só podem manter-se em pé se a pressão não for muito grande “diz Schaeffer. Esta divisão tornou-se uma arma contra o verdadeiro cristianismo, deslegitimando a perspectiva bíblica, colocando o poder do Evangelho no cativeiro. Os crentes esqueceram ou desconhecem que a Bíblia é a verdade sobre a realidade total.  Alguns crentes acham isso altamente frustrante. Querem integrar a fé em cada aspecto da vida, família, igreja, relações pessoais (sagrado), como também na educação, ciência, política, economia e todas as outras áreas públicas (secular).

Visão Restaurada
O pensamento da genuína cosmovisão cristã é muito mais que uma estratégia mental ou nova informação nos acontecimentos atuais. É na verdade um avanço no desenvolvimento do homem dominando o todo da vida. Contribuindo para o enobrecimento da vida na sua integralidade. Cosmovisão é um comprometimento do coração e começa na submissão da nossa mente ao Senhor do universo: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento...” (Lc. 10.27). E a condição crucial para o crescimento intelectual e o crescimento espiritual é pedir a Deus a graça de levar “cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10.5).
Toda a verdade começa em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do seu controle, Ele é o autor da história bíblica: a criação, a queda e a redenção.
Criação
A bíblia ensina que Deus é a fonte exclusiva de toda ordem criada. Nenhum outro deus concorre com Ele; não existe força natural própria; nada recebe sua natureza ou existência de outra fonte. Sua Palavra, ou leis, ou ordenanças da criação dão ao mundo ordem e estrutura. A palavra criativa de Deus é a fonte das leis da natureza humana – os princípios da moralidade (ética), da justiça (política), do empreendimento criativo (economia), da estética (artes) e até do pensamento claro (lógica). É por isso que 119.91 declara: “...tudo está a teu serviço (NVI). Não há assunto, tema, matéria que seja filosófica ou espiritualmente neutra.
Queda
A universalidade da criação é emparelhada pela universalidade da queda. A Bíblia ensina que todas as partes da criação – inclusive nossa mente – foram atingidas na grande rebelião do Criador. A Bíblia nos adverte que a idolatria ou a desobediência voluntariosa a Deus torna os humanos “cegos” ou “surdos”. Paulo escreve: “O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.”  2 Coríntios 4:4Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações.” Efésios 4:18.
É certo que os não crentes ainda atuam no mundo de Deus, portam a imagem dEle e são sustentados por sua graça comum, fatos que significam que têm a capacidade de descobrir segmentos isolados de conhecimento genuíno. E os cristãos devem acolher com alegria esses insights. Toda a verdade é a verdade de Deus, como diziam os pais da igreja. Pode haver ocasiões em que os cristãos estejam enganados em alguns pontos e os não crentes, certos. Não obstantes, os sistemas globais de pensamento formados pelos não crentes serão falsos, pois se sistema não é constituído sobre a verdade bíblica, então o será sobre outro principio básico. Até as verdades serão vistas pela lente distorcida de uma falsa cosmovisão. Em consequência disso, a abordagem cristã em qualquer campo precisa ser critica e construtiva. Não podemos tomar os resultados da erudição secular como se fosse território espiritualmente neutro, descoberto por pessoas cujas mentes estão de todo abertas e objetivas, ou seja, como se a queda nunca tivesse acontecido.
Redenção
Por fim, a redenção é tão abrangente quanto à criação e a queda. Deus não salvo apenas a nossa alma, deixando nossa mente funcionar sozinha. Ele resgata a pessoa inteira. A conversão tem o propósito de dar nova direção a nossos pensamentos, emoções, vontade e hábitos. Paulo nos exorta a oferecer nosso “eu” a Deus como “sacrifício vivo”, de forma a não sermos conformados com esse mundo, mas sermos transformados pela renovação da nossa mente (Rm 12.1,2). Quando fomos redimidos, todas as coisas se fizeram novas (2 Co. 5.17) Deus promete nos dar “um coração novo e “um espírito novo” (Ez36. 26), avivando nosso caráter com vida nova”.
Isto explica por que a Bíblia trata o pecado, primeiramente, com questão de termos nos afastados de Deus para servir outros deuses, e, em segundo plano, destacando uma lista de comportamentos imorais específicos. O primeiro mandamento é, afinal de contas, o primeiro – os demais vêm somente depois que estivermos certos sobre quem ou o que estamos adorando. E é por isso que a redenção consiste, de maneira fundamental, em expulsar nossos ídolos mentais para voltarmos ao verdadeiro Deus. E quando fazemos isso, experimentamos seu poder transformador que renova cada aspecto da nossa vida. Falar sobre um a cosmovisão cristã é outro modo de dizer que, quando somos redimidos, toda nossa perspectiva de vida é recentralizada em Deus e reconstruída em sua verdade revelada.

CONCLUSÃO
Portanto, somos chamados para conhecer as Verdades da Palavra, ter uma mente inquiridora que medita, reflete, constrói pensamento, para serem vivenciadas em direção a uma cosmovisão cristã que unifique o sagrado/secular. Do contrario, nenhum cristão se sentirá plenamente feliz, pois está dividido andando em direções opostas. Tudo o que fazemos devem ser para glória de Deus, isso inclui o trabalho honesto e empreendimentos criativos, tudo é valido para o serviço no Senhor. E assim, o poder do Evangelho sairá do cativeiro do âmbito particular e influenciará toda a sociedade.

Fontes:
Pearcy, Nancy. Verdade Absoluta.  Casa Publicadora das Assembleias de Deus: Rio de Janeiro, 2006.
Kuyper, Abraham. Calvinismo. Cultura Cristã: São Paulo, 2002.
Sire, James. O Universo ao Lado. Hagnos: São Paulo, 2009.
Schaeffe, Francis. Como Viveremos? Cultura Cristã: São Paulo, 2003,

TEÍSMO ABERTO - DANIEL FERNANDES

TEÍSMO ABERTO

ALUNO: DANIEL FERNANDES



1.1 RESUMO
A teologia relacional ou teísmo aberto nada mais é que uma forma incapacitada que o homem tem de tentar entender algo da parte de Deus que não pode ser entendido de forma plena. Ou seja, quanto a liberdade moral do homem e o total controle de Deus sobre as criaturas relativo a seus decretos, é de fato algo, complexo que a mente humana não irá encontrar respostas plenas para tal. É justamente na tentativa de se encontrar respostas para estas questões que surgem as heresias.
1.1.2 PALAVRA CHAVE
Há uma área de acesso restrito só a Deus em toda teologia

2.0 INTRODUÇÃO
Há um certo tempo, um dos expoentes do Teísmo aberto, o pastor Ricardo Gondim, teceu um artigo numa rede sócia onde dizia o seguinte; “Eu não me contento com respostas simples ou com a simples resposta eu não sei” É justamente ai que mora o perigo, pois nesta ânsia de saber o que foge ou transcende o entendimento humano é que os homens ferem ou maculam as escrituras. Em outra postagem deste referido pastor supra citado anteriormente, o mesmo comentou a tragédia do Tsunami no Japão e disse que Deus não sabia e não tinha conhecimento do que iria ocorrer no continente asiático e mesmo que soubesse não poderia fazer nada. esta é a suma do teísmo aberto que aliado ao advento do livre arbítrio alega não saber Deus qual será a ação futura  de suas criaturas.
3.0 REFERENCIAL TEÓRICO
Concordar ou fazer as referidas alegações que se viu na introdução deste artigo  é atribuir a Deus simplesmente limitações e características humanas. Na realidade esta foi uma das intenções de algumas religiões ao decorrer dos séculos, trazer Deus à esfera humana e não só isso, mas também, Limita-lo. Há um teólogo chamado Norman Geisler que define de forma muito hábil o que e onde estaria, no sentido de patamar, Este Deus. “Nós, seres humanos, estamos no interior de uma estação de trem. Assim só se pode ver o trem vagão por vagão. Deus, ser supremo, está no alto da mais alta montanha e de lá ver o mesmo trem por completo” (Não tenho fé suficiente para ser ateu)  Esta é a ideia querente que se deve ter de Deus, pois ao atribui-lhe características humana seria também limitá-lo conforme os humanos.

Na realidade é justamente isso que o teísmo aberto propõe, se é de forma tendenciosa ou não, não cabe a nós julgar. Mas pensar que um sEr dotado de todo conhecimento prévio de tudo que iria ocorrer mesmo antes que essas coisas existissem de fato. É um sEr que esta fora do tempo,  no sentido de limite, e que pode ser pego de surpresa, aponta para uma negligência de um dos principais atributos de Deus, a onisciência.
O salmos 139 nos demonstra que o salmista tinha uma sensação divina de um ser que transcende toda e quaisquer esfera humana, pois em sua declaração melódica entende que este sEr se diferencia de todos os outros que possas existir em quaisquer lugares do universo. O salmo 139 em seu verso 6 dá o checkmate em toda teologia relacional, o verso traz a seguinte informação; Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Aqui é o cerne da questão. O salmista Davi era de fato um homem que tinha intimidade com Deus e que entendia seus desígnios e planos e partindo do princípio que foi inspirado por Deus a ponto de deixar relatos na bíblia, deve-se ter algo a mais que nós homens contemporâneos. O salmista reconhece que por mais sabedoria que venha a ter, por mais conhecimento ou quaisquer outras coisas, nada disso é superior à ciência divina, a racionalidade divina. Estas, são tão altas que não se pode alcançar e isso funciona como uma cerca que determina o limite até onde o homem limitado deva ir. É justamente neste local que o homem deve parar e o salmista parou. Querer ir além disso é sinônimo de heresia, é sinônimo de teologia relacional.
Um outro bom exemplo destes homens que decidiram pular a cerca que determina o limite, e que decidiram adentrar num terreno impróprio para os mesmos e para o seu intelecto chama-se René Kivitz, que a pouco teceu um comentário acerca do apóstolo Paulo dizendo que o apóstolo, um dos mais proeminentes do colégio apostolado, não soube o que disse em uma de suas cartas. Disse ainda que Paulo complicou a passagem bíblica e que ele, René Kivitz, ia descomplicar o que Paulo complicou. Como diria o jornalista Boris Casoy, “ Isso é uma vergonha” Parece que o avanço a esta área restrita que é de domínio apenas divino, não é apenas uma fábrica contínua de heresias, mas também, de presunção.

Os versos 1-4 do Salmos 139 mostram que realmente Deus conhece o futuro e não apenas uma parte desse, mas todo.

"SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces".

            Além deste texto, é possível lembrar de outro texto que mostra Jesus interrogando a Pedro quanto se este o amava de fato, na ocasião Jesus pergunta a Pedro se ele o amava João 21: 15 a 17. Nesta ocasião Jesus apresenta uma característica inerente somente a Deus, a onisciência, quando sabe que Pedro o negará antes mesmo que o galo cante. Ou seja, Essa é a prova inequívoca que Jesus e Deus são as mesmas pessoas. Por isso não há confronto quando se adorava a Jesus nas escrituras. A adoração a Jesus não era rejeitado por Deus. Assim, a ideia é corroborada  com o texto que alega Deus não dividir sua glória com ninguém. E se Jesus foi adorado e não houve repudia divina, bem como na ocasião do bezerro de ouro com Arão Ex. 32, mostra que Jesus e Deus são as mesmas pessoas e eram harmônicos quanto glória e atributos.

            As escrituras nos mostram um Deus que é totalmente imanente, mas possui um limite quanto a isso, é como se fosse aquela cerca de limite que mencionou-se anteriormente. Apesar de se relacionar com sua criação existe uma separação e um terreno onde o homem não deve entrar. Em Js. 3:4 Josué orienta o povo a não se aproximar da arca, Ela tinha que está a uma distancia considerável dos homens e isso aponta para santidade de Deus que não pode ser homogeneizada com o homem pecador. Eis ai o limite em que o homem não deve avançar, quem assim o fez sofreu na pele a conseqüência como Uzá em I Cr. 13:9-10. Assim como Uzá, muitos homens estão mortos espiritualmente e não conseguem mais ver a essência do evangelho por infringem, mesmo que com boas intenções, este limite que há entre as coisas inacessíveis de Deus e as coisas que só dizem respeito ao homem. A teologia relacional infringe esta área, os teólogos relacionais infringem está área e por isso que seus pensamentos estão mortos e não produzem nada além de heresia.

            Teísmo aberto  é a teologia que nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. Pois se um desses atributos cai expõem os outros ao efeito dominó, ou seja, todos caiem juntos. Seus defensores apresentam outra definição onde afirmam pretender uma reavaliação do conceito da onisciência de Deus, na qual se afirma que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de ideia conforme as circunstâncias. Afirmam também, alguns defensores, que o termo “Todo-poderoso” não pode ser extraído do contexto bíblico pois, segundo eles, a tradução original da palavra do qual é traduzida tal expressão havia se perdido ao longo dos séculos.
 
O Teísmo Aberto defende que Deus se relaciona intimamente com o homem, em detrimento de sua onisciência que seria prejudicada com a dádiva do livre arbítrio; Deus saberia o futuro, mas não todo o futuro, pois esse futuro ainda não teria existência na presença de Deus, dado o livre arbítrio do homem concedido por Deus.
Os defensores da Teologia Tradicional afirmam que seria um completo absurdo Deus se despojar do direito de saber todas as coisas, pois, sendo assim, Deus viveriam incertezas, não tendo controle sobre os eventos futuros do Universo.
Contudo, defende o Teísmo Aberto que Deus é Todo-poderoso exatamente por causa desse despojamento, visto que mesmo tendo ausência de controle sobre as escolhas humanas, Deus é capaz de governar o futuro vaticinado. Ou seja, exatamente porque Deus não se preocupa em estar no controle de suas criaturas é que ele demonstra estar realmente no controle.

Tudo teria surgido na bem intencionada apologética de alguns teólogos de livrar Deus da maldade existente no mundo, como explica Luiz Sayão, lingüista e hebraísta pela USP, é uma teologia tipicamente Norte Americana: prática e simples. Em outra curta frase apresenta as conclusões do Teísmo Aberto: “Deus precisa deixar de ser Deus, tornando-se menos onipotente e onisciente para que não seja responsabilizado pelo sofrimento do mundo”.

Luís Saião também tece um comentário acerca desta teologia alegando ser esta uma tentativa de resposta extrema ao calvinismo. O que ocorre é que o teísmo aberto tenta de uma forma ou de outra da uma nova explicação para os atributos tidos como incomunicáveis de Deus. A onisciência divina é questionada  quando se fala em livre arbítrio. Ou seja, a bondade de Deus de apresentar um futuro a ser escolhido pelo homem. Segundo os teólogos relacionais, o homem tem livre escolha do bem e do mal, e a bondade de Deus em conceder liberdade ao homem impediria, moralmente, o Soberano de intervir e estabelecer os eventos futuros. Em defesa disso, apresenta-se a ideia de que se há maldade no mundo, Deus não seria o construtor dessas desgraças e destruição. O livre arbítrio do homem o levara ao futuro estabelecido pelo próprio homem e Deus não teria participação nos eventos catastróficos e malévolos desse século. As explicações da Teologia Relacional consistem em apresentar críticas sobre a teologia tradicional, que estabeleça que Deus está no controle de tudo, frase que caia em desuso por estes teólogos.

Em contra partida, a teologia reformada defende que defende que o livre arbítrio do homem é ilusório, e que até mesmo a capacidade de fazer o bem por parte do homem tem a interveniência do Espírito de Deus, assim, o livre arbítrio humano seria absurdo, fazendo duras críticas à teologia arminiana, defensora do livre arbítrio. Na realidade existe um paradigma criado pela teologia relacional que alega não ter como Deus saer qual decisão será tomada pelo homem no futuro, se este tiver o livre arbítrio, logo, Deus não sabe o que o homem fará, sendo assim, não sabe o que ocorrerá amanhã.

CONCLUSÃO
Por tanto, concluí-se que nada, absolutamente nada, pode pegar Deus de surpresa, ou seja, mesmo sem querer o mal do homem, más se este homem cometer algum mal contra si próprio isso não fugiu do controle divino. E aqui é necessário lembrar a definição de Norman Geisler “ Deus está no alto da montanha e de lá ver o trem por completo”[1] Se algum intercurso houver no caminho deste trem não pegará Deus de surpresa, sabendo que Ele é soberano o suficiente para evitar ou permitir o referido intercurso.
Outra questão é sobre o livre arbítrio. Entende-se que de fato o livre arbítrio não passa de uma mosca ranço, ou seja, ninguém ver. Acredita-se que livre arbítrio dentro da teologia é poder ou não de cometer pecados e não de tomar decisões, o fato de se tomar decisões diz respeito a uma livre agencia e não livre arbítrio. Por tanto, só houve um homem e uma mulher que viveu num ambiente isento de pecado e que poderiam de fato pecar ou não pecar, estes sim puderam escolher, coisa que nenhum outro pode mais. Bem como nos diz o salmista; Em pecado fui concebido Sl. 51.5.

            REFERENCIAS

pt.scribd.com/doc/.../NAO-TENHO-FE-SUFICIENTE-PARA-SER-ATEU
      www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=284

voltemosaoevangelho.com/.../norman-geisler-9-razoes-porque-devemos



[1] pt.scribd.com/doc/.../NAO-TENHO-FE-SUFICIENTE-PARA-SER-ATEU

AS CONCEPÇÕES SOBRE ECUMENISMO E EXCLUSIVISMO CRISTÃO - Marconi Luiz Dornelas da Silva


                         

AS CONCEPÇÕES SOBRE ECUMENISMO E EXCLUSIVISMO CRISTÃO.


Marconi Luiz Dornelas da Silva

Pr. Jonas Silva
Professor
RESUMO
 Esta pesquisa tem como objetivo averiguar sobre os conceitos de Ecumenismo e Exclusivismo Cristão. De forma que possa contribuir o mesmo para a ampliação e fortalecimento da discussão teórica como base para as pessoas que estudam a Palavra de Deus. A metodologia utilizada para a elaboração da pesquisa científica foi de caráter exploratório e descritivo qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica.

Palavras-chave: Ecumenismo, Exclusivismo Cristão.


·         INTRODUÇÃO
O interesse pelo tema surgiu através dos debates em sala de aula sendo sugerida pelo docente como objeto de pesquisa.  Quanto à relevância da temática é que a mesma deve ser debatida na formação dos estudiosos da palavra de Deus, uma vez que nos dias existem varias discussões em torno da temática. Acredito que este estudo pode contribuir ainda para a ampliação e fortalecimento da discussão teórica e empírica no campo teológico e que temos como futuros teólogos o importante papel e uma concreta responsabilidade na melhora do processo de aprendizado sobre a defesa da fé.

2.    MARCO TEORICO.

2.1. O Contexto Histórico Sobre o Ecumenismo e Exclusivismo Cristão.
Acredito ser de grande valia trazer contexto o histórico do mesmo, Jùnior (2008) aponta que ao longo da segunda metade do século XIX e do primeiro quartel do século XX aconteceram diversos esforços de aproximação entre igrejas protestantes, principalmente a partir da Europa. Tais esforços davam-se ao redor dos temas da missão, da ação social e da doutrina. Foram, por exemplo, importantes encontros como a Conferência Missionária Mundial, em Edimburgo em 1910, a Conferência Universal do Cristianismo Prático. Vida e Ação, em Estocolmo em 1925, na qual a expressão Movimento Ecumênico, passou a ser utilizada, e a Conferência Universal .Fé e Ordem, em Lausanneem 1927. Dessas diversas iniciativas resultou a formação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em 1948 em Amsterdam, com a representação de 351 delegados de 140 igrejas. A partir de então, o CMI passou a organizar séries de assembléias, conferências e comitês que dinamizaram as discussões e práticas ecumênicas em nível internacional. Naquele momento, o movimento era de modo notável protestante, mas também anglicano e ortodoxo. A Igreja Católica passou a contribuir mais efetivamente a partir do concílio Vaticano II. Naqueles anos, gradualmente, o tema da responsabilidade social da igreja passou a habitar a pauta das discussões entre os ecumênicos. No contexto do pós-II Guerra, com a guerra fria, a bomba atômica, o bloqueio de Berlin, a revolução chinesa, os processos de descolonização, a guerra da Coréia e a eminência da alternativa comunista, as igrejas do CMI passaram a se preocupar de modo diferenciado com sua responsabilidade para com o mundo social. Nesses processos, os próprios conceitos de missão e evangelização tomaram outros significados, passando a incluir, além da pregação da palavra de Deus e da doutrina, também a dimensão da transformação social e da denúncia profética.
Relata Dias (2003) que o protestantismo em meados do séc XIX era professado por alguns estrangeiros que habitavam o Brasil. Nesse tempo o movimento missionário moderno estava em livre desenvolvimento com o envio de milhares de missionários para todas as partes do mundo. Os primeiros missionários a aportarem no Brasil (1855) com o objetivo de estabelecer igrejas protestantes foram os congregacionais, com o missionário escocês Robert Reid Kalley que, juntamente com a sua esposa Sarah Kalley, fundou a Igreja Congregacional no Brasil. Depois vieram as missões presbiterianas com Ashbel Green Simonton, que chegou ao Brasil em 1859 e, em 1862, organizou a Primeira Igreja Presbiteriana no Rio de Janeiro.
Os metodistas estabeleceram-se terminantemente em 1886, com os missionários Junius E. Newman, John J. Ranson, J. W. Koger e James L. Kennedy. Os batistas principiaram o seu trabalho missionário no Brasil em 1881 com Willian Bagby e Zacarias Taylor. Em 1889 chegaram os missionários episcopais Lucien L. Kinsolving e James W. Morris, que depois de um acordo com os presbiterianos acabam se constituindo no Rio Grande do Sul, de onde se expandiram.
         Ainda ressalta o autor acima que as missões protestantes no Brasil foram frutos do movimento avivalista e apesar do modo denominacional se caracterizavam pela mesma ênfase teológica e metodológica dos avivalistas norte-americanos. Nessa época há uma ênfase na conversão individual, que não estava associado a um compromisso específico com uma igreja ou denominação, e que a partir de um determinado momento o Movimento Ecumênico no Brasil começa a se articular com outras correntes na sociedade como sindicatos, movimentos populares, educação popular, luta pelos direitos humanos e outros no Brasil construindo uma rede de pessoas e instituições que foram entusiasmadas pelas idéias e práticas pastorais desenvolvidas dentro do movimento, disseminando conceitos como responsabilidade social, educação popular, ecumenismo, prática social, participação política, agente de transformação, contribuindo para uma nova hermenêutica de leitura da Bíblia em que os conceitos das Ciências Sociais eram utilizados para entender o texto bíblico. Nesse sentido ele foi um divisor de mentalidade em um momento que o Brasil passava por um período histórico complexo.
 E que o Movimento Ecumênico repercutiu no Brasil inicialmente através das idéias de cooperação que vão ocorrendo junto às pequenas Igrejas instaladas no país e de como a busca da unidade entre elas procurou protegerr direitos que muitas vezes eram ameaçados, posteriormente pela criação da Confederação Evangélica no Brasil que foi o espaço onde o movimento ecumênico se desenvolveu até a década de 60 e que essa Confederação se desarticulou logo após o golpe militar de 1964, levando o Movimento Ecumênico a se rearticular através de organizações não governamentais. Mais recentemente novas organizações ecumênicas procurando reunir as Igrejas irão se constituir como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e a Associação Evangélica Brasileira (AEVB).
Assinala ainda o mesmo que o escritório regional do Brasil chamou-se “Comissão Brasileira de Cooperação” (CBC), foi fundada em 1920 e reuniu as Igrejas Congregacional, Presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Independente, Metodista e Episcopal, tendo como Secretário Executivo o Rev. Erasmo Braga, que também era secretário Executivo da Aliança Evangélica. Erasmo Braga dirigiu a CBC desde o início até sua morte, em 1932. Funcionava no mesmo prédio da União das Escolas Dominicais e da junta nacional das ACMs. A CBC reuniu 19 entidades, entre igrejas, missões e organizações evangélicas cooperativas. Elaborando um cadastro atualizado dos pastores e igrejas em todo território nacional; conservou relacionamentos internacionais; lançou literatura para Escola Dominical; desenvolveu projetos missionários para os indígenas; relacionando com os movimentos sociais; constituiu o Seminário Unido; instituiu a associação Umuarama em Campos do Jordão; publicando também livros e por fim designou Erasmo Braga como representante à Conferência Missionária em Jerusalém do Conselho Missionário Internacional.
De acordo com o autor citado anteriormente mais tarde os esforços pela unidade e cooperação encontravam no sectarismo o seu maior inimigo, com o predomínio do sentimento denominacional há uma identidade para os seus seguidores. Por isso que o Seminário Unido acabou fracassando. Braga sabia que a unidade se construiria com a formação de pastores com o sentimento da unidade, enquanto os defensores dos seminários denominacionais sabiam que no Seminário Unido estava o fim das suas instituições. O ideal unionista no Brasil ficou cada vez mais enfraquecido, ainda sobrevivia um movimento de cooperação que pouco a pouco foi se distanciando da realidade das igrejas.
Já Júnior (2008) afirma que a conjuntura teológica e política até aqui apresentada teve suas manifestações também no Movimento Ecumênico brasileiro. Entretanto, o grande expoente dessa teologia no Brasil dos anos 50 e 60 foi não um brasileiro, mas um estadunidense, o pastor presbiteriano Richard Shaull (1919-2002). Richard Shaull estudou teologia em Princeton, onde esteve sob a influência da teologia dialética e teve como professor a John Mackay, teólogo e destacado líder ecumênico. Entre 1942 e 1950, Shaull foi missionário na Colômbia, cuja experiência marcou lhe marcou de tal maneira que o levou a refletir sobre sua prática. Lá, conheceu a pobreza, a perseguição católica para com os protestantes e o distanciamento da religiosidade protestante tradicional diante da situação latino-americana, assim gerou iniciativas de ação social para a melhoria da vida das populações locais e fomentou o debate com estudantes universitários progressistas.
Por fim, quanto ao exclusivismo cristão historicamente defende Dupont (p.8) que o cristianismo se baseia na unicidade e na universalidade de Cristo. E é justamente este o ponto central do debate no que se refere ao diálogo interreligioso. E que ao procuramos conjeturar esta afirmação face à pluralidade das religiões, somos coagidos a repensar a relação entre a pessoa de Jesus Cristo, sua particularidade e o alcance universal de seu ser (ontológico) e de sua ação (funcional).  
Também é necessário salientar que o exclusivismo realçando a confissão da própria fé ou a afirmação da posição religiosa pessoal, eliminando a probabilidade de qualquer outra religião que compartilhe a verdade uma vez que as outras tradições são vistas como diversos graus de erro e de confusão.  No entanto o mesmo pode ser absoluto quando as outras tradições são vistas conectadas ao erro, sustentando a afirmação de que só a sua defesa de fé possui a verdade integral.

2.2 . Sobre o Ecumenismo e Exclusivismo Cristão.
No dicionário Aurélio o ecumenismo é definido como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs. O mesmo é o processo de busca da unidade, esse termo ecumênico  se origina da palavra grega οἰκουμένη (oikouméne), designando "toda a terra habitada". Num sentido mais limitado, emprega-se o termo para os esforços em favor da unidade entre igrejas cristãs; num sentido lato, pode designar a busca da unidade entre as religiões.
O ecumenismo do ponto de vista do cristianismo é o movimento que mira à unificação das igrejas cristãs, com base no apelo à unidade entre todos os povos sob o governo de Cristo, contido na mensagem do evangelho. É um movimento que busca o diálogo e a cooperação comum entre igrejas cristãs, para superar as divergências históricas, culturais e teológicas, aproximar os cristãos de diversas denominações, evangelizar o mundo e contribuir para a paz mundial. Mas o ecumenismo moderno apresenta uma proposta de unificação das igrejas protestantes, a fim de promover missões evangelísticas. Porém, historicamente a idéia foi utilizada pela Igreja Católica para estabelecer sua liderança sobre todas as igrejas cristãs, deixando de lado as diferenças doutrinárias evidenciadas pela a Reforma Protestante, proposta por Martinho Lutero, no século XVI. Por fim, a proposta do ecumenismo contemporâneo não está restrita apenas às igrejas historicamente classificadas como cristãs ou monoteístas (o cristianismo, o judaísmo e o islamismo). Há um movimento mundial de união entre várias religiões, inclusive as mais discordantes em relação à Bíblia.
             Em contra partida outro ponto a ser discutido nesse artigo é o exclusivismo cristão que é a doutrina que prega ou que dá a entender que a vontade de Deus está presente exclusivamente em um grupo; que um grupo pode deter, exclusivamente, a bênção e o conhecimento do Plano de Deus. Quando o cristão deixa ser levar por esse ensinamento acredita, no seu íntimo, que é melhor e mais abençoado que seus irmãos, sendo possuidor das verdades mais elevadas e da revelação mais completa do desejo de Deus para o Seu povo.
Sobre o exclusivismo cristão defende Paine (2008) que o próprio realça a confissão da própria fé ou a afirmação da posição religiosa pessoal, excluindo a possibilidade de qualquer outra religião compartilhar a verdade e o acesso à transcendência de forma de igual ou comparável valor. As outras tradições são vistas como diversos graus de erro e de confusão. Tal exclusivismo pode ser absoluto quando as outras tradições são vistas como sob o poder do mal, ou desesperadamente vinculadas ao erro; ou pode ser menos categórico, reconhecendo elementos de verdade e valor fora da própria religião, mas mantendo a afirmação de que só a última possui a verdade.
      O autor Brakemeier (2002), afirma que o primeiro motivo para a lide em favor do exclusivismo consiste no simples fato de todas as religiões serem exclusivistas são elas Islamismo, judaísmo, hinduísmo, todas se consideram a si próprias como portadoras da única e exclusiva verdade salvífica. O cristianismo não constitui exceção. E de fato: “Uma religião que tivesse renunciado à sua unicidade, já não mais despertaria especial interesse.” Teria perdido a credibilidade. A exigência de afirmar algo absoluto, inquestionável e, por isso, confiável satisfaz a natureza de todos os credos. Religiões almejam normatividade para seus enunciados, seus dogmas e seus costumes.     

3.    METODOLOGIA
    A metodologia utilizada para a elaboração da pesquisa científica foi de caráter exploratório e descritivo qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica. Acerca dessa metodologia destaca Minayo (2009,p. 51) que a pesquisa bibliográfica coloca frente a frente os desejos do pesquisador e os autores envolvidos em seu horizonte, onde o esforço em discutir as idéias e pressupostos tem como lugar privilegiado as bibliotecas, centros especializados e arquivos. Nesse caso trata-se de um confronto de natureza teórica que não ocorre diretamente entre o pesquisador e atores sociais que estão vivenciando uma realidade peculiar dentro de um contexto histórico-social. Nessa pesquisa esse tipo de metodologia tem com o objetivo de oferecer suporte teórico para a análise do tema. Utilizando como método de coleta de dados consulta a artigos, livros e internet.


4.    Considerações Finais.

Diante da pluralidade dos discursos teológicos e religiosos, somos instigados a cada vez mais refletir como as religiões são portadoras de verdades diferenciadas, que surgem dentro da sua cultura, e que depois são compartilhadas como defesa da sua verdade. Sobre isso afirma Geffré, “Apesar de todos os erros, imperfeições e mesmo perversões de numerosas tradições religiosas da humanidade, parece legítimo pensar que existe mais de verdade de ordem religiosa no concerto polifônico das religiões do mundo que somente no cristianismo” O diálogo entre o cristianismo e as outras religiões deve se basear na busca conjunta do autêntico encontro com Deus. No cristianismo a salvação é estabelecida através de Jesus Cristo. Os cristãos recebem o perdão dos pecados, vida e salvação adquirido por Jesus Cristo através de seu sofrimento, morte e ressurreição. Esta graça da salvação é recebida sempre pela fé em Jesus Cristo, através da palavra de Deus.
       Por fim, na sociedade pluralista em que vivemos que se destaca pela diversidade de interpretações acerca da vida cristã, a salvação através de Jesus Cristo pode levá-los a experimentar um modo novo de viver a própria vida. Uma vez que vivemos um tempo de muitas expectativas em relação ao amanhã. Podemos acreditar que a Salvação, é alcançada pela graça, onde o homem tem uma união e transformada através de Cristo levando uma vida de santidade que resulta em boas obras. A mesma graça, por meio da qual a pessoa alcança a salvação, dá certeza e a segurança do perdão contínuo de Deus e de seu socorro na vida cristã.

5.    Referências

DIAS, Agemir de Carvalho. O Ecumenismo: Uma ótica protestante. Disponível em: http://www.nupper.com.br/home2/wp-content/O_Ecumenismo_Uma_otica_Protestante.pdf. Acessado em 19/08/2013 

DUPONT, Jair.  Pluralismo Teológico e Religioso. Disponível em: http://www.faustolevandoski.com.br/asafti/trabalhos/Jair%20Dupont.pdf Acessado em 18/08/2013 

JÚNIOR, Arnaldo Érico H. Responsabilidade Social e Revolução no Movimento
Ecumênico Brasileiro dos anos 50 e 60. Disponível em: www.mackenzie.br/fileadmin/.../GT3/Arnaldo_Erico_Huff_Junior.pdf. Acessado em 05/09/13


MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade. 28 ed Petrópolis: Vozes, 2009.

PAINE, Scott Randall. Exclusivismo, Inclusivismo e Pluralismo Religioso. Disponível em: www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf/11%20Scott%20Randall%20Paine.pdf Acessado em 18/08/2013 









RAZÃO E FÉ -Mary Katherine Araujo de Souza

RAZÃO E FÉ

Mary Katherine Araujo de Souza
Seminarista do III ano do curso de teologia no Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste. Kathsouza@yahoo.com.br

RESUMO

Esse artigo discorre de forma simples um breve pensamento de como visualizar a questão da fé e da razão na religião cristã.  Um nos grandes enganos que encontramos no pensamento moderno e pós moderno é o de que a fé e a razão são incompatíveis; esquecendo que a fé bíblica é fundamentada em processos tanto racionais como espirituais.
Veremos que nos estudos realizados sobre os pais da igreja e a filosofia platônica encontra-se um dos debates mais importantes no seio da igreja primitiva no que diz respeito à fé.  Serão evidenciados a visão de Justino, o mártir, e Agostinho de Hipona que procurava mostrar como os cristãos poderiam se apropriar da filosofia clássica e da cultura para balizarem sua fé.

Palavras-Chaves: Fé, Razão e Filosofia.


1. INTRODUÇÃO

Será que a fé é algo que escapa da razão? A fé se contrapõe a razão por que ambas são vias diferentes de se obter a verdade? Pode um Cristão ser chamado de racional ou racionalista no que tange a verdade? Essas e outras perguntas têm sido, ao longo dos séculos, debatidas com muita intensidade.
A razão que para os gregos era uma faculdade dada ao homem pelos deuses, para acessar o “mundo das idéias ou mundo do nous[1]” que era o modelo do mundo sensível, o mundo que nós experimentamos nada mais é do que uma copia do mundo perfeito informa que se encontra em uma esfera superior, tal idéia, encontra-se difundida com maior precisão nos escritos de Platão com suas idéias de mundo real e numeral, sendo que o primeiro na verdade é sombra do segundo; logo existe um mundo que transcende este mais que esta, de alguma forma, revelado neste.
Essas idéias remontam a um período mais antigo, ao Egito, que tinha uma idéia tripla da realidade, o éctipo, o arquétipo e o tipo ou copias bem colocado por Platão. Segundo este o éctipo é o está em nível superior, pois este é o princípio ou a evolução, já no caso do arquétipo o mesmo é modelo único não manifestado informe de todas as formas subjacente a ela, tomamos, por exemplo, o caso das diversos tipos de cadeiras com diferentes tipos de cores, tamanho forma ou estrutura, como por exemplo: cadeira de balanço, cadeira de mesa, cadeira de escritório e etc. segundo os gregos da escola platônica que provavelmente anexaram tais idéias dos egípcios mais a racionalizaram; enquanto os egípcios a tinham em um sistema religioso, e por fim o tipo que diz respeito a todas as cadeiras que são tipos empíricos de um arquétipo do mundo transcendental ou numeral.
Tais idéias caíram, como uma luva, para o cristianismo que tinha cosmovisão com traços comuns e incomuns. Para os filósofos da escola de Plotino (filósofo neoplatônico), o mundo era na verdade o produto de um ser supramundano que se manifestava nas formas, esse ser habitava na pura luz, deste proveio a idéia da adoração aos astros por serem luminosos, tais como o sol e a lua. Em outras palavras, o mundo é sombra de um mundo que está aquém deste tanto em “forma” como em “qualidade”.
O cristianismo sobe se aproveitar bem desse sistema e encontrou logo os pontos de contatos entre ambos. Paulo usa termos comuns dessa filosofia, mas com outros significados, tal como sombra, para mostrar a superioridade do novo testamento sobre o Antigo Testamento.

2. DESENVOLVIMENTO

Nos estudos realizados sobre os pais da igreja e a filosofia platônica encontra-se um dos debates mais importantes no seio da igreja primitiva dizia à extinção com que os cristãos poderiam se apropriar do imenso legado cultural do mundo clássico a poesia, a filosofia e a literatura. De que forma a “ars poética” (a arte poética) poderia ser adotada e adaptada pelo os autores cristãos que ensinavam por utilizar esses padrões clássicos de escrita, para expor e comunicar sua fé? Ou o próprio uso deste meio literário significava comprometer os fundamentos da fé cristã? Foi um debate de grande importância, pois surgia a questão de os cristãos abdicarem ou tomá-la como nota a sua herança clássica, mesmo que para isso a modificasse.
Já no século segundo d.C, Justino o mártir, mostrou-se preocupado em mostrar paralelos entre o sistema platônico e o cristianismo, sendo este superior; pois está revelado de forma mais acentuado a um povo específico, e também, devido ao fato de tal povo ter preservado tal herança de forma intacta. Para Justino as sementes da sabedoria divina haviam sido semeadas por todo o mundo, o que significa que os cristãos poderiam e deveriam estar prontos para encontrar pontos contra entre o cristianismo onde menos se imagina e externamente a igreja.
Segundo Justino, o logos Cristo que era quem estava representado em outras nações ou religiões pelo termo “logos” ao qual todos têm acesso, afirma que muita gente vive em redor do logos mesmo sendo visto como ateus, tais como: Sócrates, Heráclito, e tanto outros, que são na verdade adoradores do Cristo que está refletido em outras religiões como o logos. “O que quer que tenha dito, com acerto, tanto os filósofos, quantos os advogados, foi articulado por meio da descoberta e da reflexão sobre alguns aspectos do logos”.
Entretanto, uma vez que eles não conhecem plenamente o logos que é Cristo, eles normalmente contradizem a si mesmo. O que quer que tenha sido dito com precisão, por qualquer pessoa, pertence a nós, os cristãos. Pois adoramos e amamos ao lado de Deus, o Logos, que é oriundo do Deus eterno e inefável. Uma vez que foi por nossa causa que ele se tornou humano, para que pudesse compartilhar de nossos sofrimentos e nos trazer cura. Contudo, “todos os autores foram capazes de ver a verdade de forma nebulosa, em razão da semente do logos que foi inserida neles”.

Logo, para Justino toda verdade provem de Deus, e se essas nações afirmaram alguma verdade, estas as fizeram por influencia Divina; pois toda verdade é verdade de Deus e só ele pode revelá-la, tanto pela razão, baseado na revelação geral, como pela intuição, baseado no que Deus comunica a ela ou comunica ao ser humano mediante alguns eventos supra racionais.
No entanto os argumentos de Justino não foram vistos com bons olhos pela igreja em alguns setores porque suas ideias tinham conotações ecumênicas, sendo interpretadas como se ele tivesse colocando a cultura clássica pagão no mesmo patamar do cristianismo.
A principal oposição a Justino veio da ala dos Pais Romano, em especial Tertuliano, advogado romano do século III que se converteu ao cristianismo. Ele questionava: “que relação há entre Atenas e Jerusalem?”. “Que importância a Academia de Platão tem para a igreja?” A forma como a pergunta é feita deixa clara a resposta de Tertuliano: “o cristianismo deve manter sua identidade característica evitando influências seculares desse tipo”.
No entanto, a conversão de Constantino abriu caminho para uma avaliação muito mais positiva do relacionamento de cada aspecto da vida e do pensamento cristão com a cultura clássica.
Com a conversão de Constantino, a controvérsia sobre a interação entre o cristianismo e a cultura clássica assumiu um novo sentido. Roma era serva do evangelho; o mesmo não poderia ser valido em relação a sua cultura? Se o estado romano poderia ser encarado de uma forma positiva pelo cristão, por que o mesmo não se dava com relação a seu legado cultural? Pareceria que uma porta havida sido aberta na direção de algumas possibilidades bastante interessantes. Antes do ano 313, essa situação era cogitada somente em sonhos; mas após o ano 313 sua exploração tornou-se motivo de urgência para os principais intelectuais cristãos dentre os quais o maior foi Agostinho de Hipona.
Agostinho é muito significativo no que tange a fusão da filosofia ou cultura clássica e o cristianismo. Contudo, Agostinho o fazia de forma equilibrada o que foi conhecida como “apropriação crítica da cultura clássica”. Para ele, a titulação era comparável à fuga de Israel do Egito, à época do êxodo. Embora tenha deixado para trás os ídolos do Egito, levaram consigo o ouro e a prata para que pudessem fazer um uso melhor e mais apropriado dessas riquezas que assim estavam disponíveis para servir a um propósito mais nobre que o anterior. De forma bastante semelhante, a filosofia e a cultura do mundo antigo poderiam ser apropriadas pelos cristãos naquilo em que fossem corretas, e assim, poderia servir à causa da fé cristã. Agostinho arrematou com a observação de que vários cristãos, que recentemente tinham se tornado famosos, havia lançando mão da sabedoria clássica para o avanço do evangelho.
Agostinho, em sua forma secular, defendia que os cristãos deveriam falar da filosofia em todos os seus aspectos para o proveito do cristianismo, em especial os platônicos, que desdisserem qualquer coisa que seja verdadeira e consistente com a nossa fé, não devemos rejeitá-la, mas antes reivindicá-la para nosso uso, conscientes de que eles a possuem injustamente. Os egípcios possuíram ídolos e fardos pesados que os filhos de Israel odiavam e dos quais eles fugiram. Entretanto, eles também possuíam vasos de ouro e de prata e roupas que os nossos antepassados, ao deixar o Egito, levaram consigo, em segredo, com a intenção de fazer melhor proveito deles; da mesma forma, o conhecimento pagão não é inteiramente feito falsos ensinamentos e superstições. Ele também possui alguns ensinamentos excelentes e adequados ao uso da verdade, assim como excelentes valores morais.
De fato, entre eles, encontram-se algumas verdades relativas á adoração do Deus único. Elas são por assim dizer, o ouro e a prata que possuem, os quais eles mesmos enquanto nação produziram, mas retiraram das minas da providência divina que se encontram espalhadas por todo o mundo, mais que são, contudo, corrompidas de forma imprópria e ilícita para adoração de demônios. Portanto, o cristão é capaz de separar essas verdades de suas infelizes associações, separando-as e utilizando-as de maneira adequada à proclamação do evangelho.
Agostinho entendia que deveria separar as coisas que são úteis ao cristianismo em detrimento do grau que o paganismo assumira, no entanto, os cristãos deveriam ter muito cuidado para não confundir paganismo com Cristianismo e também não reduzir o paganismo nem ao menos humanizá-lo. Esse posicionamento de Agostinho abriu a porta para que as grandes correntes filosóficas adentrassem no ocidente cristão, tais como o platonismo e o tomismo (filosofia escolástica de São Tomás de Aquino). No entanto tal abertura, embora tenha sido muito útil, fora também prejudicial para o cristianismo; pois houve um sincretismo entre tais sistemas somando ao fato de muitos cristãos pensarem a fé no formato grego-racional o que foi muito danoso à igreja, uma vez que o arianismo, o sabelianismo, o gnosticismo cristão, era filho do estrangeiro.
Citamos algumas correntes filosóficas que tiveram influência na teologia e que a levou tanto para a heterodoxia quanto a manteve na ortodoxia, e a seguir daremos as correntes filosóficas. São as seguintes:
  1. Platonismo que tem suas raízes na academia de Platão, dentro os quais se destaca a teoria da forma.
  2. O aristotelismo, que teve como seu maior líder Aristóteles que foi discípulo de Platão mais que depois se ausentou da mesma e fundou a sua própria a do “liceu”.
  3. Ramismo que busca defender a teologia reformada.
  4. O cartesianismo. Este está fundamentado no racionalista do Francês René Descartes que procurou explicar Deus e a fé mediante os princípios racionais a priori, afirmando que a revelação deve ser explicada racionalmente. Seu principal lema: “penso logo existo”.
  5. Hegelianismo que tem como seu pai o filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel.
  6. Kantiasmo que enfatizou o transcendentalismo Divino em razão de não termos acesso aos objetos diretamente, contudo temos acesso às formas, e às imagens.
Essas escolas foram responsáveis pela teologia atual, que é vista como multifacetado. Todas essas influências foram úteis e danosas à cristandade. Algumas enfatizam a imanência (hegelianismo), enquanto outra bate o martelo na teologia do transcendentalismo e nesta finca sua ancora. Outras tentaram ver o mundo como uma forma do mundo da idéias, e a razão foi muito útil para a teologia principalmente para os pais da igreja que se valeram da Bíblia e da filosofia para explicar a fé, ou mostrar os pontos de contato entre elas.
Na atualidade os filósofos que mais se destacam são: Willian Lane Craig, Norman Geisler, Rave Zacarias etc.; esses têm exercido grande influência na atualidade mesmo se valendo da teologia platônico-escolastica-decartiana para seus argumentos principais, sendo altamente tradicionais e históricos.

Como exemplos de tais acomodações da filosofia temos a teologia como o método dedutivo de Tomas que se valeu da lógica aristotélica: 1. Todo o que começou a existir tem uma causa. 2. O mundo começou a existir. 3. logo o mundo tem uma causa.

As cinco vias, de Tomás de Aquino, é indispensável para “provar” racionalmente o argumento de grau de beleza que advoga. Ele cita que se há algo belo então há o autor dessa beleza que deve ser o sumo belo.
3. CONCLUSÃO

De fato, as verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem por completo a ordem das coisas sensíveis e, quando entram na prática da vida e a informam, exigem sacrifício e abnegação própria.
Assim sendo, o entendimento humano encontra dificuldades na aquisição de tais verdades, quer pela ação dos sentidos e da imaginação, quer pelas más inclinações nascidas do pecado original. Isso faz com que os homens, em semelhantes questões, facilmente se persuadam de ser falso e duvidoso o que não querem que seja verdadeiro.
O que se conclui após essas explanações entre a razão e a fé? A razão foi indispensável para fé. Contudo, deve-se ter em mente que a razão não pode provar o que já é provado pela fé e que não é proveniente de argumentos filosóficos e que ela é uma certeza provocada por Deus de forma mística. Afinal, o ser humano é um ser místico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

DE POITIERS, Hilário. Tratado sobre a santíssima trindade. São Paulo: Editora Paulus, 2005.

DODD, Charles H. A interpretação do Quarto evangelho. São Paulo: Editora Teológica, 2003.

E. MCGRATH, Alister. Teologia, sistemática, histórica e filosófica. São Paulo: Editora Shedd publicações, 2005.

BRINGER, Maria C. Razão e Fé. Disponível em: http://www.georgezarur.com.br/opiniao/105/razao-e-fe-a-partir-de-um-texto-de-maria-clara-bingelmer. Acesso em: 03 de Set. 2013.

CRAIG, William L. É possível acreditar em Deus usando a Razão. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-possivel-acreditar-em-deus-usando-a-razao-afirma-william-lane-craig. Acesso em 03 de Set. 2013.



[1] Nous: termo filosófico grego que não possui uma transcrição direta para a língua portuguesa, e que significa atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais. Muitos autores atribuem como sinônimo a Nous os termos "Inteligência" ou "Pensamento".